quarta-feira, dezembro 20, 2006

Um poema de Natal





FALAVAM-ME DE AMOR

Quando um ramo de doze badaladas
se espalhava nos móveis e tu vinhas
solstício de mel pelas escadas
de um sentimento com nozes e com pinhas,

menino eras de lenha e crepitavas
porque do fogo o nome antigo tinhas
e em sua eternidade colocavas
o que a infância pedia às andorinhas.

Depois nas folhas secas te envolvias
de trezentos e muitos lerdos dias
e eras um sol na sombra flagelado.

O fel que por nós bebes te liberta
e no manso natal que te conserta
só tu ficaste a ti acostumado.



Natália Correia

O Dilúvio e a Pomba
Lisboa, Publicações D. Quixote, 1979

  • |
  • a href="http://www.haloscan.com/">Weblog Commenting and Trackback by HaloScan.com