terça-feira, dezembro 16, 2003


Correio do leitor:


César;

Eu também não gosto destes Natais!!! e porque me identifico com o que escreveu sobre "estes" no "Remoinhos", queria deixar-lhe um poema que se refere ao ano de 1971 , que acho, cada ano que passa, mais actual:


" Natal de quê? De quem?
Daqueles que o não têm?
Dos que não são cristãos?
Ou de quem traz às costas
As cinzas de milhões?
Natal de paz agora
Nesta terra de sangue?
Natal de liberdade
Num mundo de oprimidos?
Natal de uma justiça
Roubada sempre a todos?
Natal de ser-se igual
Em ser-se concebido,
Em de um ventre nascer-se,
Em por de amor sofrer-se,
Em de morte morrer-se,
e de ser-se esquecido?
Natal de caridade,
Quando a fome ainda mata?
Natal de qual esperança
Num mundo todo bombas?
Natal de honesta fé,
Com gente que é traição,
Vil ódio, mesquinhez,
E até Natal de amor?
Natal de quê? De quem?
Daqueles que o não têm?
Ou dos que olhando ao longe
Sonham de humana vida
Um mundo que não há?
Ou dos que se torturam
E torturados são
Na crença de que os homens
Devem estender-se a mão?

(Jorge de Sena - Natal de 1971)


Um abraço
"Gilda"
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Obrigada Gilda, e desculpa o atraso.
Só agora vi a caixa do correio do Remoinhos.
Beijos, minha amiga.

Maria Oliveira e César

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